Uma tarde no mundo / Performance

Elizabete Francisca

[Portugal]

A besta, As luas (trabalho em processo)

© Associação Luzlinar

Fortemente baseada no verso “eu não obedeço porque sou molhada” da canção “Banho” interpretada por Elza Soares, proponho enunciar, através de gestos e sons, uma representação possível da geografia política de um corpo não submisso.
Perante “uma vida absurda como a que nos fazem as leis”*, ordens políticas com dramático impacto sobre a existência da diferença e da multiplicidade, na qual tantos corpos e tantas vozes dificilmente podem existir, é urgente reivindicar um lugar de resistência, transformando possíveis fragilidades em flechas e potências. O corpo como arma política, o último reduto de qualquer experiência, pois se é nele que se pode rever verdadeiramente as consequências de um sistema, é através dele que se pode reverter processos e por isso realidades: um grito. De afirmação de uma individualidade, em reconciliação profunda com a sua identidade e sexualidade: do sexo à cabeça, da cabeça ao cosmos, do cosmos ao chão. Uma possível reza em linha reta para nos mantermos de pé.
*frase retirada do livro Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, 1846

Nota: Bilhete único para todas as performances "Uma Tarde no Mundo" no Museu de Lisboa - Palácio Pimenta - 3 €
Sujeito à lotação do espaço.

Elizabete Francisca

Elizabete Francisca nasce em Joanesburgo, África do Sul. Licenciada em Design Industrial (ESAD-CR), estudou dança no Fórum Dança (PEPCC) e na Escola Superior de Dança de Lisboa. Desde 2009 o seu trabalho tem-se centrado na área das artes performativas, tendo participado em diversos projetos como colaboradora artística, bailarina, performer e atriz. Trabalhou com Vera Mantero, Loic Touzé, Ana Borralho & João Galante, Tânia Carvalho, Mariana Tengner Barros, Mark Tompkins, Meg Stuart, Miguel Pereira, Vânia Rovisco, Rita Natálio, Tonan Quito, Carlos Manuel de Oliveira e Marília Rocha entre outros. Do seu próprio trabalho destaca os duetos criados em colaboração com Teresa Silva "Leva a mão que eu levo o braço" e "Um Espanto Não Se Espera", ambos vencedores do concurso Jovens Criadores; e o solo "TSUNAMISMO, recital para duas cordas em M”. Foi artista associada da estrutura Materiais Diversos dirigida por Tiago Guedes entre 2011-2013. Atualmente é apoiada pela estrutura O Rumo do Fumo, de Vera Mantero.

3 Oct 16:30

Museu de Lisboa​ – Palácio Pimenta

Criação e Interpretação Elizabete Francisca
Conceção Sonora e Operação ao Vivo Kino Sousa
Figurino Carlota Lagido
Produção Elizabete Francisca e O Rumo do Fumo
Agradecimentos Associação Luzlinar/ Projecto Pontes, A Casa do Burrikórnio, Damas Bar, Carlos Manuel Oliveira e em especial a Julia Salem

M/12 | 30 minutos

"Uma Tarde no Mundo é uma secção pensada para acontecer durante uma tarde em dois espaços expositivos de Lisboa, com espetáculos e performances em diálogo com os seus contextos espaciais, institucionais e museográficos."

O Rumo do Fumo é uma estrutura financiada pela República Portuguesa - Cultura | DGArtes - Direcção Geral das Artes